Todos os artigos Marketing e Vendas

Quanto investir em tráfego pago numa clínica médica?

Vitor Rehbein··6 min de leitura
Vitor Rehbein palestrando em evento de gestão para clínicas

Não existe percentual universal de faturamento para investir em tráfego pago numa clínica médica. O teto do investimento sai de duas contas que a clínica precisa ter antes de subir qualquer verba: quanto de faturamento cada real de tráfego precisa trazer só para se pagar, que é um dividido pela margem de contribuição, e quanto a clínica aguenta pagar por paciente novo sem comer a margem daquela venda. Fora dessas duas contas, qualquer valor é chute — inclusive o valor que a agência sugere.

Isso muda a pergunta que o dono faz. Não é quanto investir, é quanto esse investimento precisa devolver. Investimento em mídia não é despesa de marketing, é compra de faturamento. E compra de faturamento tem preço de equilíbrio, igual qualquer compra.

Qual é o percentual de faturamento que as clínicas investem em tráfego?

Nas DREs gerenciais da carteira, a linha de impulsionamento tem mediana de 0,9% do faturamento. E só uma em cada cinco clínicas preenche essa linha.

Os dois números dizem a mesma coisa, e não é o que parece. Não leia 0,9% como meta — leia como sintoma. Na maior parte das clínicas, o investimento em tráfego não é uma decisão tomada com conta na mão: é uma despesa que acontece, paga por fora, sem apuração no resultado e sem ninguém sabendo quanto ela devolveu. Quando a própria clínica não registra o que gastou em mídia, não existe discussão possível sobre retorno.

Então o primeiro movimento não é definir o valor. É criar a linha. A clínica precisa ter, dentro da DRE, quanto saiu de mídia no mês, separado do que saiu de fee de agência e do que saiu de produção de conteúdo. Sem essa separação, a conta de retorno não fecha nunca, porque você compara faturamento com um valor que não existe.

Quanto o seu tráfego precisa trazer de faturamento só para se pagar?

Aqui está a conta, e ela é de uma linha: divida o valor investido pela margem de contribuição da clínica. O resultado é o faturamento que precisa vir daquele investimento só para empatar.

Vamos supor uma clínica com 50% de margem de contribuição que investe R$ 6 mil por mês em tráfego. Precisa de R$ 12 mil de venda vinda daquele tráfego só para se pagar. Se trouxe R$ 12 mil, não há nada para comemorar: esse investimento não colocou um real na clínica, ele apenas se pagou. Na mesma clínica, com 40% de margem de contribuição, os mesmos R$ 6 mil exigem R$ 15 mil de faturamento para zerar.

Repare que o número exigido sobe quando a margem cai. Isso significa que duas clínicas que investem o mesmo valor em tráfego têm metas de retorno diferentes, porque têm margens diferentes. Nas DREs da carteira, a margem de contribuição mediana é de 42% — e nessa margem cada real investido em mídia precisa trazer cerca de R$ 2,38 de faturamento apenas para empatar, porque um dividido por 0,42 dá 2,38.

Esse cara não botou um real de dinheiro na clínica ainda, só se pagou.

É essa conta que transforma a conversa com quem cuida da sua mídia. Ela deixa de ser sobre alcance, impressão e custo por clique e passa a ser sobre um número combinado: o faturamento mínimo que a mídia tem que trazer no mês. A partir daí você consegue decidir com informação se aperta, se renegocia ou se troca — e não por sensação.

Quanto a sua clínica pode pagar por um paciente novo?

A segunda conta olha o outro lado: o custo de aquisição por paciente, comparado com o que sobra de margem naquela primeira venda.

Vamos supor uma clínica que investe R$ 5 mil em mídia e gera 150 leads. Desses 150, fecha 10. O custo por paciente novo foi de R$ 500. Se o ticket médio da venda é de R$ 10 mil e a margem de contribuição é de 30,5%, aquela venda deixa R$ 3.050 na clínica. Tirando os R$ 500 de aquisição, sobram R$ 2.550 para pagar custo fixo e lucro.

Nessa configuração, há espaço para investir mais. O teto é o ponto em que o custo por paciente novo começa a se aproximar da margem que a venda deixa — e esse ponto chega mais rápido do que parece, porque o custo por lead sobe quando a verba sobe e a conversão cai quando o público se amplia. Por isso a decisão de aumentar verba nunca é definitiva: é um teste com um limite escrito antes de começar.

Quando aumentar o investimento e quando cortar?

A clínica só pode aumentar verba quando conhece o que acontece depois do lead. Investir mais em um funil que não converte é comprar mais lead para perder do mesmo jeito, por um valor maior.

Os três indicadores que precisam estar na mesa antes de subir qualquer verba são a taxa de comparecimento, a taxa de conversão de consulta realizada para procedimento vendido e o ticket médio. Sem esses três, não existe meta de faturamento que se sustente, porque a pessoa que atende o telefone da clínica não consegue faturar e não pode prescrever por você — o que está na mão dela é agendamento. Se o agendamento não está medido, o lead comprado morre antes de chegar na cadeira.

  • Aumente quando o retorno do mês passado superou com folga o faturamento mínimo de equilíbrio e a taxa de comparecimento está sob controle.
  • Mantenha e ajuste quando o retorno está rodando em torno do equilíbrio: o problema ali é de conversão interna, não de verba.
  • Corte quando o investimento não chegou nem no equilíbrio por dois ou três meses seguidos e nada mudou no processo comercial no meio do caminho.

E vale dizer o que a conta normalmente revela: a maioria das clínicas não precisa de mais paciente. Precisa de método e de clareza de gestão. Fluxo de paciente não é o problema — é consequência. O problema é não saber o que acontece com o paciente que já chegou.

De quem é a culpa quando o tráfego não traz paciente?

A rotatividade alta de agência numa clínica raramente é culpa da agência. O principal responsável é o dono, porque ele não tem condição de cobrar qual é o faturamento mínimo que aquele investimento precisa trazer para se pagar. Sem esse número, a cobrança vira discussão de achismo, a agência apresenta métrica de alcance, o dono desconfia e, alguns meses depois, troca — e o ciclo começa de novo com outro fornecedor e o mesmo problema.

Com o número na mão, a relação inverte. A clínica chega na reunião com a meta de faturamento da mídia, com a taxa de comparecimento e com a conversão. A agência passa a ser avaliada pelo que ela controla e a clínica assume o que é dela. É a única configuração em que dá para saber quem está falhando.

Faça as duas contas antes da próxima reunião de mídia: o investimento do mês dividido pela sua margem de contribuição, e o seu custo por paciente novo. Leve os dois números para a mesa e combine o faturamento mínimo do mês. Essa é a diferença entre investir em tráfego e simplesmente pagar tráfego.

VR
Vitor RehbeinTime bmo

Quer ver esses números na sua clínica?

Em 45 minutos a gente mostra quanto sobra hoje e onde dá para melhorar. Sem compromisso.

Quero um diagnóstico gratuito

Continue lendo